Escolha a sua rota
Por Plínio Fasolo

    Depois da popularização do GPS, as navegações, ou os deslocamentos do tipo "fora de estrada", tornaram-se atividades facilmente realizáveis por qualquer pessoa que tenha domínio de conceitos elementares tais como: posição, orientação, distância e velocidade. No entanto é sempre possível melhorar a qualidade da utilização do equipamento, apenas adotando procedimentos e rotinas que se mostram mais eficientes e seguras do que as que vêm sendo adotadas pela maioria dos navegadores amadores. Este é o caso do uso da função "GO TO" . 
    A função "GO TO" é possivelmente a mais utilizada pelos navegantes eventuais ou pelos iniciantes na arte de navegar. Sem dúvida ela pouco exige do usuário. A simplicidade dos procedimentos que estão envolvidos a torna a preferida dos despreocupados velejadores e lancheiros de fins de semana. 
    Para os não iniciados, vale lembrar que o GPS carrega em sua memória os pontos (waypoints) que ali foram colocados de acordo com a conveniência do usuário. São os pontos ou locais que o usuário presume que, em alguma ocasião, ele desejará atingir. Eles são identificados por nomes que também foram escolhidos pelo usuário. Para atingir um waypoint basta selecioná-lo na lista acessada no menu do aparelho e apertar a tecla GO TO seguida da tecla ENTER. Na tela do GPS irá aparecer o rumo que deve ser seguido . Como o aparelho também mostra o rumo que está sendo seguido pela embarcação, basta alterar a proa com o leme até que os dois números fiquem idênticos. 
    O que acontece na verdade é que o GPS cria uma rota ao waipoint escolhido ( ponto "TO") a partir de um waypoint criado na posição em que o barco se encontra no instante em que a tecla GO TO for apertada. É um ponto "FROM" que não irá para a lista de waypoints.
    Na prática dos que não entregam o governo do leme ao GPS e assumem a tarefa de timonear o barco durante a navegação, observa-se que, após algum tempo, geralmente a rota inicial é negligenciada, vindo o barco a aparecer fora dela. 
    Então o timoneiro, ao invés de retornar à rota inicial, repete o procedimento de clicar a tecla GO TO criando desta forma uma nova rota e como conseqüência um novo ponto "FROM". Embora pareça simples e inconseqüente, tal procedimento pode ser perigoso. A nova rota estabelecida desde (FROM) um ponto inédito, e naturalmente casual, poderá conter obstáculos não detectados e colocar em risco a embarcação.

    No desenho acima P1 representa a posição do barco no momento em que a tecla GO TO foi apertada. Não é um waypoint de lista. Pd é o ponto de destino escolhido, que, geralmente, é um waypoint de lista. P2 representa a nova posição do barco no instante em que a tecla GO TO foi acionada mais uma vez para restabelecer a nova rota para o destino.

    Os aparelhos GPS possuem também a possibilidade de conter um banco de rotas, além do banco de waypoints. As rotas são criadas pelo usuário com os pontos disponíveis na lista de waipoints. São constituídas por uma sucessão de caminhos retos (pernas) que, por serem construídas previamente e calmamente, no aconchego do escritório ou mesmo no conforto da mesa de navegação da embarcação no porto, representam os caminhos mais seguro a serem seguidos. As rotas também são batizadas por nomes ou frases que as identificam e podem experimentar aperfeiçoamentos durante as navegações ficando cada vez mais confiáveis. O tempo gasto para a construção das rotas é recompensado pela tranqüilidade que representará o seu uso posterior. 
    Por isso, antes de encher seu banco de waypoints com pontos de destino (pontos turísticos) , pegue a carta náutica e crie as rotas que você desejar. Então crie e armazene os waypoints que serão necessários para a definição das pernas das rotas. Em seqüência crie e armazene as rotas no GPS.

    Na navegação por rota, a embarcação geralmente se deslocará por trajetos já testados e portanto mais seguros. Ao longo das pernas, os pontos TO e FROM, que são pontos armazenados no banco de memória do GPS, irão se sucedendo e se transformando alternadamente um no outro, a medida em que a rota irá sendo trilhada. Para trilhar a rota em retorno, bastará inverte-la. Procedimento que também é muito simples com qualquer GPS.

    Na figura acima P1, P2, P3,P4, P5 e Pd são waypoints de lista de uma rota com cinco pernas. Quando o barco estiver percorrendo a primeira perna da rota, para o destino Pd, P1 será o ponto "FROM" e P2 será o ponto TO. Logo após passar por P2, então na segunda perna, P2 passará a ser o novo ponto FROM e P3 o ponto TO. 

    Aconselho a utilização restrita da função GO TO apenas para emergências ou situações de visita a pontos que estão fora das rotas disponíveis no banco de rotas e assim mesmo tomando precauções de uma contínua conferência do trajeto sobre a carta náutica.