Orientação
Por Plínio Fasolo

    Os navegadores desta época pós GPS não têm idéia do tamanho da dificuldade que representava o “deslocamento fora de estrada”. A ansiedade que acometia o navegador após algumas horas de deslocamento sem referência visual, valendo-se apenas de uma bússola que, quanto muito garantia que o barco permanecesse com sua proa orientada para uma mesma direção. Mas isso não garantia um determinado destino. Assim, enxergar o farolete, a bóia , a montanha, ou seja, uma referência visual que confirmasse a proximidade de um destino era um alívio que , na verdade, constituía-se num dos maiores prazeres da navegação. 
    Explorar alguns conceitos relacionados com esses dois tipos de navegadores : o antigo e o moderno; e com esses dois instrumentos de navegação : a bússola e o GPS, é o objetivo deste texto. 

    Uma "direção" é a propriedade comum às retas de um conjunto de retas paralelas, responsável pelo paralelismo existente entre elas.

"Sentido" é uma opção de deslocamento dentre duas possíveis em uma direção (para um lado ou para outro).

Orientação é uma direção com um sentido determinado

    As estrelas estão tão distantes da Terra que pessoas, embora afastadas em milhares de quilômetros umas das outras, ao apontarem para uma mesma estrela, num mesmo instante, estarão apontando para a mesma orientação. Devemos ter sempre em mente que posição e orientação são coisas distintas e praticamente sem relação. 
    Sobre a superfície da Terra, definido um plano horizontal, ao longo dos meridianos temos duas orientações importantes : a norte e a sul. Ao longo dos paralelos temos a leste e a oeste. 

    É importante ressaltar que o cruzamento entre um meridiano e um paralelo é um ponto ou uma posição *. Um ponto não é um elemento orientável porque por ele sempre passa uma infinidade de retas. Um objeto, constituído por pelo menos dois pontos, pode ser orientado. O eixo imaginário que une a proa com a popa de um barco é orientável. A trajetória de deslocamento do barco, que é uma sucessão de posições, também é orientável. 
    Um barco, ou qualquer outro corpo rígido, quando muda de orientação, diz-se que ele “gira”. Ele executa um movimento de rotação. No entanto, quando o seu centro muda de posição, diz-se que ele se desloca ou se “translada”. Ele executa um movimento de translação. 
    A bússola é um instrumento que , sendo sensível ao campo magnético terrestre (que é orientado) indica as mudanças de orientação, ou seja, acusa o movimento de rotação. No entanto, não sendo sensível às mudanças de posição, a bússola não informa a localização e por isso não descreve o movimento de translação, o mais importante em uma navegação. 
    Por sua vez, o GPS, não tendo sensor magnético, não estabelece compromissos com orientação, mas seu microprocessador calcula e informa a posição com velocidade suficiente para desenhar a trajetória do seu deslocamento. 
    Obviamente, a bússola é um instrumento bem mais limitado para a navegação do que o GPS. Com a bússola você poderá estar mantendo sempre a proa do seu barco apontada para o norte e , pela deriva provocada por ventos e correntes, estar navegando para nordeste. 

    Com o GPS você sempre saberá por onde realmente está se deslocando, mesmo que esteja andando de lado ou até de ré. Em qualquer GPS poderemos encontrar uma página (tela) que fornece a posição instantânea do barco através das coordenadas* latitude e longitude. (figura 1) 

    Na fig. 2, os pontos representam posições dadas por coordenadas (waypoints) e colocadas no banco de memória do GPS pelo usuário, obtidas de uma carta náutica ou pela marcação de passagem com o próprio GPS. Normalmente, o ponto central dessa tela representa a posição do barco. 
    A figura 3 mostra a “estrada” em direção a um waypoint. Além disso também oferece um conjunto de informações complementares como: orientação para o waypoint , velocidade do barco e distância ao waypoint. 

* Ver o artigo “Coordenadas de Posição”