>> Para Ernest Julius Sporket

(Por Plínio Fasolo)

 

" O nosso lógico contraria a lógica da natureza. " ( E. J. Sporket ).

 

 

 

 

 

Ernest Julius Sporket ( 09/01/1928 - 06/03/1999)

 

 

 

            Iniciamos nossas atividades no Instituto de Física no mesmo dia (10 de março) do mesmo ano (1966). Já se passaram 33 anos. Não lembro, especificamente, quais as suas tarefas, preferências e compromissos docentes de então... Mal lembro das minhas! Mas posso apostar que envolviam muitos equipamentos de laboratório misturados com materiais alternativos, quase domésticos.

            Sporket, professor, sempre foi um especialista na difícil arte de conceber experimentos de Física, utilizando materiais simples, aproveitados do cotidiano. Era um poeta do empirismo. Conseguia transformar em quadros figuras de pó, em música os sons de diapasões, enquanto o vai e vem de um pêndulo de torção mantinha a atenção dos alunos no controle de medições. As suas aulas eram assim, plenas de práticas e  plenas de reflexões.  Ele alcançava, naquela época, e com eficiência, a meta que é hoje alardeada como a maior necessidade da pedagogia moderna: o contínuo refletir sobre a prática. E não me consta que ele havia feito grandes estudos pedagógicos, ou freqüentado algum pós-graduação em educação. Agia por inspiração em seus antigos mestres, confirmando sempre, para todos que o conheciam, que continuava funcionando a antiga forma do educar através do exemplo.

            Sporket, colega, representava a companhia segura de um irmão mais velho. Suas observações tinham o peso das frases meditadas. Falava pouco e baixo, mas suas palavras jamais deixavam de ser ouvidas. Era respeitoso e respeitado. Embora magro, de ombros estreitos, desenvolvia uma intensa mobilidade, indo e vindo continuamente pelos vários setores da universidade que serviam de palco para a sua atuação. Nos últimos anos suas andanças praticamente restringiam-se ao itinerário que liga o Museu de  Ciências  à oficina mecânica, passando pela Faculdade de Física. Mas o número de vezes que ele percorria esse caminho, diariamente, poderia ser comparado ao percurso de uma maratona.

            Justamente, durante o período de construção e montagem do Museu de Ciências e Tecnologia, foi que convivi mais proximamente com esse Mestre. Ele dedicou-se com tanto afinco e determinação a esta obra, que pareceu ter esquecido de cuidar de si próprio. Não percebeu a doença que, insidiosamente, instalava-se em seu corpo. Assim, quase na véspera da inauguração do que certamente foi o maior produto material da sua atividade profissional, e que hoje encanta a todos que  conhecem  e orgulha não só a nossa universidade mas o nosso país, Sporket  foi recolhido a um leito de hospital para não mais sair, nos deixando definitivamente órfãos da sua presença, dos seus ensinamentos e do seu trabalho.

            Felizmente, a quantidade e a qualidade dos equipamentos projetados e executados por sua habilidade e determinação, e que preenchem um espaço significativo do Museu, faz com que a sua imagem e a mensagem da sua obra permaneçam gravadas em nossa lembrança.  Foi uma grande honra ter convivido com ele.

 

 

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